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Revolução tecnológica no varejo redefine futuro das relações de consumo

O varejo tem experimentado uma transformação profunda nas últimas décadas, fortemente impulsionada pela evolução tecnológica. Essa mudança não só redefiniu a maneira como os consumidores interagem com as marcas, mas também revolucionou as operações internas dos varejistas.

A adoção de novas tecnologias tem sido fundamental para otimizar a eficiência, melhorar a experiência do cliente e, em última análise, aumentar a competitividade no mercado global.

Uma das principais mudanças no setor de varejo foi a digitalização das operações. A introdução de sistemas de gestão de estoques automatizados, por exemplo, permitiu aos varejistas acompanhar os níveis de inventário em tempo real, reduzindo significativamente os custos associados ao excesso de estoque ou a rupturas de produtos.

Um caso exemplar é o da Amazon, que utiliza algoritmos avançados e robótica em seus centros de distribuição para agilizar o processamento de pedidos e garantir a entrega rápida. Essa eficiência operacional não só melhora a satisfação do cliente, mas também permite que a empresa opere com margens de lucro mais altas.

Além da gestão de estoques, a tecnologia tem transformado a experiência de compra. O advento do comércio eletrônico abriu novas possibilidades para os consumidores, que agora podem adquirir produtos de qualquer lugar, a qualquer hora.

Plataformas como Shopee, Alibaba, Shein e Mercado Livre expandiram o acesso ao varejo para milhões de pessoas, democratizando o consumo e oferecendo uma gama de produtos antes inacessíveis.

Além disso, a integração de tecnologias como a realidade aumentada (AR) e a realidade virtual (VR) nas plataformas de e-commerce está proporcionando aos clientes uma experiência de compra mais imersiva e informada.

A sueca Ikea, por exemplo, utiliza AR em seu aplicativo para permitir que os clientes visualizem como os móveis ficariam em seus próprios espaços antes de realizar a compra, aumentando a confiança e a satisfação do consumidor.

A personalização é outra área em que a tecnologia tem desempenhado um papel crucial. Com o uso de big data e inteligência artificial, os varejistas podem agora oferecer recomendações de produtos personalizadas com base no histórico de compras e no comportamento de navegação dos clientes.

Um exemplo notável é o da Netflix, que, embora não seja uma varejista tradicional, utiliza algoritmos de recomendação para personalizar a experiência do usuário de forma exemplar. No varejo, empresas como a Amazon e a Sephora aplicam técnicas semelhantes para sugerir produtos que os clientes provavelmente gostarão, aumentando as chances de venda e melhorando a experiência do usuário.

A evolução tecnológica também trouxe consigo desafios e considerações éticas. A coleta e o uso de dados pessoais levantam questões sobre privacidade e segurança. Os varejistas devem garantir que os dados dos clientes sejam protegidos contra violações e usados de maneira transparente e ética.

Além disso, a automação e a inteligência artificial têm o potencial de substituir empregos tradicionais no setor de varejo, o que requer uma abordagem equilibrada para assegurar que a adoção tecnológica não resulte em desemprego em massa.

Lojas inteligentes

A integração de tecnologias emergentes no setor de varejo também está abrindo novas frentes de inovação e redefinindo o conceito de loja física. O advento das lojas inteligentes, equipadas com sensores IoT (Internet das Coisas) e câmeras inteligentes, está transformando a maneira como os varejistas gerenciam seus espaços físicos e interagem com os clientes.

Um exemplo notável é a Amazon Go, que utiliza tecnologia de visão computacional, sensores e inteligência artificial para criar uma experiência de compra sem caixas. Os clientes simplesmente pegam os produtos das prateleiras e saem da loja, enquanto o sistema automaticamente registra e cobra os itens comprados.

Este modelo não apenas elimina a necessidade de filas, mas também oferece insights valiosos sobre o comportamento do cliente em tempo real. A Apple já utiliza, em algumas de suas lojas, essa inovação, com o mesmo sucesso.

Além disso, a tecnologia blockchain está começando a ganhar terreno no varejo, especialmente em termos de rastreabilidade e transparência na cadeia de suprimentos. Com o aumento da demanda por produtos éticos e sustentáveis, os consumidores estão cada vez mais interessados em saber a origem dos produtos que compram.

O blockchain oferece uma solução para essa demanda, permitindo o rastreio de cada etapa do processo de produção e distribuição. Gigantes como Walmart e Carrefour já estão experimentando o uso dessa tecnologia para rastrear alimentos frescos, garantindo a qualidade e a segurança dos produtos.

A inteligência artificial (IA) e o machine learning (ML) também estão sendo aplicados para melhorar a tomada de decisões estratégicas no varejo. Desde a previsão de demanda até o planejamento de sortimento, essas tecnologias estão ajudando os varejistas a antecipar tendências de mercado e responder rapidamente às mudanças nas preferências dos consumidores.

A rede de lojas de roupa Zara, por exemplo, utiliza algoritmos de IA para analisar dados de vendas e feedback dos clientes, ajustando rapidamente sua linha de produtos para atender às tendências emergentes. Essa abordagem ágil permite que a empresa mantenha um estoque sempre atualizado e alinhado com as demandas do mercado.

No campo da logística, a automação e a robótica estão revolucionando os centros de distribuição e a entrega de produtos. O uso de veículos autônomos e drones para entregas rápidas está se tornando uma realidade, a exemplo de empresas como a JD.com, na China, que está liderando este caminho. A automação aumenta a eficiência, reduz custos e melhora a precisão nas entregas, proporcionando uma vantagem competitiva significativa.

No início de junho deste ano, o Mercado Livre começou a ampliar, aqui no Brasil, sua frota de robôs autônomos que operam no centro de distribuição em Cajamar, São Paulo, com foco em agilizar a coleta de produtos.

Desenvolvidos com a chinesa Quicktron, os robôs (AMR) transportam estantes até os funcionários, reduzindo o tempo de processamento dos pedidos em 20% e a distância percorrida pelos colaboradores em 70%. Cada máquina tem capacidade para carregar 600 quilos e autonomia de até oito horas, aumentando a eficiência e a capacidade de armazenamento em até 15%.

Excluídos digitais

Na outra ponta desse quebra-cabeça, a inclusão digital aparece como uma questão fundamental para o sucesso deste novo varejo. Embora a tecnologia tenha o potencial de melhorar a experiência de compra para muitos, há uma parte significativa da população que pode ser excluída devido à falta de acesso a dispositivos digitais ou à Internet.

Portanto, os varejistas devem considerar estratégias para garantir que seus serviços sejam acessíveis a todos os segmentos da sociedade, evitando aumentar a desigualdade.

O papel da tecnologia no varejo também se estende à sustentabilidade. Existem soluções que podem ajudar os varejistas a reduzir sua pegada de carbono e promover práticas mais ecológicas.

A otimização das rotas de entrega com o uso de algoritmos de IA certamente reduzirá o consumo de combustível e as emissões de CO2. A análise de dados pode identificar oportunidades para reduzir o desperdício de materiais e melhorar a eficiência energética nas lojas e centros de distribuição.

Marketing e comunicação

A evolução tecnológica no varejo também está influenciando significativamente o marketing e a comunicação com os consumidores. Ferramentas de marketing digital, como publicidade direcionada e campanhas nas redes sociais, permitem que os varejistas alcancem seus públicos-alvo de maneira mais eficaz e personalizada.

Plataformas como Facebook, Instagram e TikTok tornaram-se fundamentais para a criação de campanhas de marketing interativas e envolventes. Marcas como Nike, Adidas, Puma, Boticário e Sephora utilizam influenciadores digitais para promover seus produtos, criando uma conexão mais autêntica e direta com os consumidores.

A análise de dados, ou data analytics, é outro componente crucial nesta transformação. Ao coletar e analisar grandes volumes de dados sobre o comportamento do consumidor, os varejistas podem obter insights valiosos que informam suas estratégias de marketing e vendas.

A rede de lojas norte-americanas Target, por exemplo, usa data analytics para prever as necessidades dos clientes e personalizar suas ofertas. Isso não só aumenta a eficácia das campanhas de marketing, mas também melhora a experiência do cliente, oferecendo produtos e promoções que são verdadeiramente relevantes.

Diversas tecnologias

Experiência de compra unificada e contínua e tendência crescente, o omnichannel integra lojas físicas, virtuais e compradores, sendo uma conexão da tecnologia no varejo, seja por um aplicativo móvel ou em uma loja física.

A rede norte-americana de cafeterias Starbucks é um exemplo notável de sucesso da utilização do omnichannel, com seu app que permite aos clientes encomendar e pagar por seus pedidos antes de chegarem à loja, acumulando pontos de fidelidade que podem ser resgatados em futuras compras. Esta abordagem também incentiva a lealdade à marca.

A tecnologia também está impulsionando inovações no atendimento ao cliente. Chatbots e assistentes virtuais (brand persona), alimentados por inteligência artificial, estão se tornando comuns nos sites de varejo.

Além de ganhar personalidade e milhares de seguidores nas redes sociais, esses assistentes atraem uma gama de clientes fiéis, como Lu (Magalu), Nat (Natura), Uli U. (Ultragaz), Vivi (Vivo), Rê (Rexona) e o Baianinho (Casas Bahia).

Essas “personalidades” fornecem atendimento ao cliente 24/7, respondendo a perguntas frequentes, ajudando na navegação do site e até mesmo processando pedidos. A multinacional sueca de moda H&M, por exemplo, utiliza um chatbot em seu site para auxiliar os clientes a encontrar produtos e resolver problemas, melhorando a eficiência do atendimento e aumentando a satisfação do cliente.

O pacote tecnológico por trás de cada venda também pode ser composto por realidade aumentada (AR) e realidade virtual (VR) estão criando possibilidades para o envolvimento do cliente.

Além do exemplo da Ikea, outras empresas de moda e beleza estão adotando essas tecnologias para permitir que os consumidores experimentem virtualmente roupas e maquiagens.

A Sephora já oferece um recurso de “Virtual Artist” em seu aplicativo, o qual permite testar virtualmente diferentes produtos de maquiagem usando a câmera de smartphones. Esse processo não só torna a experiência de compra mais divertida e interativa, mas também reduz a taxa de devoluções, já que os clientes têm uma melhor ideia de como os produtos vão ficar após a aplicação.

Além disso, a tecnologia está permitindo que os varejistas adotem práticas mais sustentáveis e éticas. A análise de dados pode identificar padrões de desperdício e ineficiências na cadeia de suprimentos, admitindo que as empresas façam ajustes para reduzir seu impacto ambiental.

Startups como a Everlane estão liderando o caminho com o conceito de “transparência radical”, em que cada etapa do processo de produção é detalhadamente compartilhada com os consumidores, desde os custos de fabricação até os impactos ambientais. Essa transparência não só fortalece a confiança do consumidor, mas também pressiona a indústria a adotar práticas mais sustentáveis.

Por fim, a evolução tecnológica está também democratizando o acesso ao varejo. Plataformas de comércio eletrônico estão possibilitando que pequenos empresários e artesãos alcancem um público global, algo que seria impensável há algumas décadas.

Marketplaces como Etsy e Shopify fornecem a infraestrutura necessária para que qualquer pessoa possa abrir sua própria loja online e competir em um mercado global. Isso não só estimula a economia, mas também diversifica as opções disponíveis para os consumidores.

Em conclusão, a tecnologia está remodelando o varejo de maneira profunda e multifacetada, desde a gestão interna até a experiência do consumidor. A inovação tecnológica trouxe ao setor operações mais eficientes e personalizadas, com práticas mais sustentáveis e inclusivas.

No entanto, é essencial que essa transformação seja acompanhada de uma reflexão ética e responsável, garantindo que todos os stakeholders, desde os consumidores até os trabalhadores, se beneficiem das mudanças. Assim, o futuro do varejo será definido, nos próximos anos, pela capacidade de adaptação e inovação dos varejistas, mas também por sua habilidade de criar valor de maneira justa e sustentável. O contrário dessa perspectiva, portanto, não fará qualquer sentido lógico.


Juarez Loures
Partner na Unidade de Negócio Solution Flow, da RZ3

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O que é o Domicílio Judicial Eletrônico?

O “Domicílio Judicial Eletrônico”, foi desenvolvido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Federação Nacional de Bancos (Febraban), no âmbito do chamado: “Programa Justiça 4.0 – Inovação e Efetividade na Realização da Justiça para Todos”.

A solução/sistema que foi denominada “Domicílio Judicial Eletrônico”, surgiu da necessidade de criar um endereço judicial virtual para centralizar as comunicações processuais, citações e intimações às pessoas jurídicas e físicas de forma eletrônica, uma vez que o acesso a essas comunicações vinha se dando através dos Correios, Oficiais de Justiça e dos Diários Oficiais, maneira essa que se torna extremamente custosa e, de certa forma, dificulta na efetividade de um sistema mais célere.

O sistema foi desenvolvido ao longo do ano de 2022, de modo integrado ao serviço de Comunicações Processuais, para centralizar as comunicações processuais eletrônicas originadas de todos os tribunais via Application Programming Interface (API) e outros mecanismos de integração por meio de um sistema centralizador.

Dessa forma, a solução disponibiliza perfis que poderão ser ajustados à realidade de cada empresa e às variadas funções exigidas no acesso às comunicações processuais.

QUAL É O OBJETIVO DO SISTEMA?

O Domicílio Judicial Eletrônico tem como objetivo principal centralizar o cadastro de pessoas jurídicas e físicas em uma única plataforma. Seus usuários poderão consultar comunicações processuais expedidas de todos os tribunais brasileiros, o que trará grande valor para as instituições públicas e privadas que necessitam consultar as comunicações de seus processos de maneira mais ágil e unificada.

A QUEM SE DESTINA?

O cadastramento no Domicílio Judicial Eletrônico está disponível para todas as pessoas físicas e pessoas jurídicas que possuem registro na Receita Federal. Contudo, a Resolução n° 455/2022 prevê o cadastro obrigatório para alguns segmentos específicos.

O cadastro é obrigatório, sujeitando à multa por não cadastramento, para:

  1. a União, os estados, o Distrito Federal, os municípios, as entidades da administração indireta e as empresas públicas;
  2. empresas privadas de grande e médio porte.

O cadastro é opcional, não incide multa por não cadastramento, para:

  1. microempresas e empresas de pequeno porte que possuem endereço eletrônico cadastrado no sistema integrado da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim), nos termos previstos no § 5º do art. 246 do CPC/2015; e
  2. pessoas físicas. 

QUAL O PRAZO DE CADASTRAMENTO OBRIGATÓRIO?

O prazo para empresas realizarem o cadastro espontaneamente na plataforma vai até 30/05/2024, conforme quadro abaixo:

Público-alvoInício do cadastroTérmino do cadastro
Instituições financeiras16/02/202315/08/2023
Empresas privadas01/03/202430/05/2024
Instituições públicas01/07/202430/09/2024
Pessoas físicas (facultativo)01/10/2024

Expirado o prazo acima indicado, as empresas privadas terão seus cadastros realizados de forma compulsória pelo Governo Federal, e estarão sujeitas a multas e penalidades, conforme destacado no sítio do CNJ – Domicílio Judicial Eletrônico – Portal CNJ.

Todos os prazos processuais e condução de ações judiciais continuarão sob os cuidados de advogados devidamente constituídos pelas empresas para cada assunto tratado, porém a responsabilidade pelo acesso e conhecimento das comunicações judiciais (citações e intimações) passam a ser automáticas dirigidas às empresas após seu cadastro.

Tão logo as empresas tenham acesso às comunicações judiciais, deverão reporta-las aos seus advogados, para que estes adotem as providências legais cabíveis.

Surgindo quaisquer dúvidas sobre o “Domicílio Judicial Eletrônico”, tais quais: cadastro, acesso, periodicidade de consultas, entre outros; nos colocamos à disposição para orientar sua empresa no que for necessário.


Leonardo Janoni
Consultor Jurídico da RZ3

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O avanço da inteligência artificial e da automação de processos na gestão fiscal e tributária

Está em curso uma mudança sistêmica na abordagem das empresas em relação à gestão fiscal e tributária, impulsionada pela ascensão meteórica da inteligência artificial. A velocidade dessas transformações é tão estonteante, que está moldando uma nova mentalidade de “pensar o negócio”.

O que antes era dominado por processos manuais na realização de cálculos complexos, agora está sendo transformado pela automação e análise preditiva, ambas impulsionadas por algoritmos inteligentes. O papel crescente da IA nesse campo já se mostrou, em curto espaço de tempo, crucial para as organizações.

Antes de mergulharmos na função da IA, é fundamental entender os desafios que as companhias enfrentam na gestão fiscal e tributária, dada a evolução constante na dinâmica da criação e atualização das regulamentações, que muitas vezes se tornam mais complexas e abrangentes.

As empresas lidam com uma variedade de impostos, taxas e obrigações fiscais federais, estaduais e municipais, elevando significativamente a carga de trabalho dos departamentos contábeis, fiscais, jurídicos e de RH, desafiando também as estratégias operacionais e de negócios.

Para se ter uma ideia, a complexidade do sistema tributário brasileiro é uma questão central que recebe críticas frequentes. Com 27 leis estaduais apenas para o ICMS, a falta de unificação é evidente.

Desde 1988, foram promulgadas incríveis 363.779 normas tributárias, uma média de mais de 1,88 por hora útil. Esses números do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) ressaltam o desafio enfrentado pelos contribuintes e destacam a urgência de reformas para simplificar e tornar mais transparente o sistema.

Além disso, erros na conformidade fiscal podem acarretar penalidades substanciais e danos à reputação da empresa. Portanto, a precisão e a harmonia são essenciais, mas alcançá-las é um enorme desafio em meio à crescente complexidade do ambiente regulatório nacional.

Pois é aqui que entra a inteligência artificial, auxiliando os profissionais a desenvolver uma série de ferramentas e técnicas que abrem caminho para as empresas enfrentarem esses desafios de forma eficiente. De muitas maneiras, a IA está transformando a gestão fiscal e tributária.

Igualmente significativa é a automação de processos, com programas e rotinas repetitivas e cenários previstos. Em outras palavras, a inteligência humana encontrou na tecnologia um caminho para alcançar maior precisão e produtividade no trabalho.

Outra contribuição da tecnologia inclui ajudar na coleta de dados, classificação de transações, no preenchimento de formulários fiscais e em muitas outras metodologias. Ao eliminar essas tarefas manuais, liberam-se tempo e recursos para atividades mais estratégicas.

Escritos pela inteligência humana – e este fato nem sempre é ressaltado quando se pensa em IA –, os algoritmos analisam grandes volumes de dados históricos para identificar padrões e tendências, ajudando as empresas a ponderar e projetar cenários com maior exatidão. Além disso, conseguem detectar anomalias nos dados, indicando possíveis erros ou irregularidades e permitindo a correção de problemas antes que se tornem crises.

Com base em análises avançadas, especialistas podem realizar um trabalho consultivo de revisão fiscal, otimizando a estratégia tributária corporativa e identificando oportunidades para minimizar a carga fiscal dentro dos limites legais. Este procedimento envolve uma série de questões, como identificação de incentivos fiscais, avaliação de estruturas de negócios alternativas e otimização da alocação de recursos.

A tecnologia também tem sido usada para facilitar a conformidade fiscal, por meio de softwares de inteligência de processos, os quais têm a legislação fiscal embarcada, como os sistemas TAX One, TAX Analyser, Workflow e Checkpoint, desenvolvidos pela Thomson Reuters, parceira da RZ3.

Cada sistema possui uma função específica, mas é possível, através do Checkpoint, por exemplo, parametrizar rotinas específicas por cliente, para alertar as empresas sobre possíveis situações de não conformidade. Da mesma maneira, o portfólio Thomson Reuters simplifica processos de auditoria, fornecendo acesso instantâneo a dados e documentação relevantes e dando visibilidade gerencial e operacional para garantir o compliance fiscal.

O crescimento do uso da inteligência artificial e de ferramentas de automação de processos na gestão fiscal e tributária oferece uma série de benefícios tangíveis para as empresas, como a realização de operações de forma mais eficiente, reduzindo custos e liberando recursos para outras iniciativas.

A automação de processos e a inteligência artificial são duas tecnologias distintas, mas relacionadas entre si, que têm o potencial de transformar operações comerciais e industriais.

Portanto, com acesso a análises avançadas e insights preditivos, as empresas conseguem tomar decisões fiscais mais estruturadas e com maior visão estratégica, maximizando seu valor para os acionistas, incluindo a amortização dos riscos de erros e penalidades.

Apesar dos benefícios óbvios, o uso da IA na gestão fiscal e tributária também levanta uma série de desafios e considerações éticas. Por exemplo, enquanto a privacidade dos dados dos contribuintes deve ser protegida, os algoritmos precisam ser transparentes e não discriminatórios.

Além disso, a implementação bem-sucedida da IA requer expertise técnica e investimentos significativos em infraestrutura e treinamento. Portanto, as companhias precisam continuamente se preparar para superar esses desafios e aproveitar ao máximo o potencial da tecnologia na gestão fiscal e tributária.

Modelos de aplicações de IA incluem assistentes virtuais, carros autônomos, sistemas de recomendação em plataformas de streaming e detecção de fraudes em transações financeiras.

A inteligência artificial e a automação de processos estão redefinindo a maneira como as empresas abordam a gestão fiscal e tributária, oferecendo eficiência, precisão e ideias estratégicas sem precedentes. E isso faz uma enorme diferença em um país como o nosso, conhecido mundialmente como dono de uma das mais burocráticas estruturas fiscais. À medida que essas tecnologias continuarem a evoluir, certamente assumirão um papel de destaque no desenvolvimento de um ambiente de negócios cada vez mais dinâmico e juridicamente seguro e menos complicado e dispendioso.


Juarez Loures
Partner na Unidade de Negócio Solution Flow, da RZ3

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Um novo mindset para o empreendedor brasileiro

Tal qual o paciente atônito frente ao  seu diagnóstico, os riscos tributários  de uma empresa quase sempre já estão incubados no negócio e quanto antes eliminá-los, melhor.

Poucas enfermidades – dentre as muitas  decorrentes dos vícios mais comuns que permeiam o comportamento do empreendedor brasileiro -, dependem tanto de sua forma de pensar e agir quanto aquelas de natureza fiscal e tributária.

A eficácia das ações preventivas e corretivas também encontra paralelo na saúde humana, pois a automedicação pode agravar mais as coisas, quando tornar-se inevitável trazê-las  à tona, não raro diante de um polpudo auto de infração.

Dentre  os remédios caseiros mais antigos e populares para descaracterizar a constituição de um grupo econômico – com tributação e limite de faturamento compatíveis a tal condição -, encontra-se  a abertura de várias empresas pelo Simples Nacional, à medida que as entradas do negócio extrapolam o teto estabelecido pela Receita Federal para esse enquadramento.

No lugar desse nítido escamoteamento da realidade, a prática demonstra ser muito mais recomendável buscar-se a redução do volume de impostos e contribuições federais a pagar, por meio de uma terapia bem mais eficaz , mas nem sempre adotada de forma sistemática e rotineira:  o Planejamento Tributário.

Juntamente com este expediente, cuja essência consiste em examinar com lupa as possibilidades de recolher menos tributos dentro da lei, combinada a uma gestão mais eficaz do fluxo de caixa e à busca, igualmente constante, de somas a recuperar perante o fisco.

Estabelecido, enfim, esse jeito bem mais saudável e transparente de viver, chega o momento da manutenção, visando não apenas uma situação tributária menos arriscada e onerosa, até mesmo quando se opta pelas soluções corretas, em detrimento das mais fáceis.

Neste momento, cabe à auditoria dar sequência à ‘terapia’, pensando agora em melhorar a qualidade de vida da organização, posto que sua longevidade a mudança básica de mindset obtida na etapa anterior já costuma proporcionar.

O processo investigativo usado inicialmente para mapear riscos passa então a  revelar oportunidades e  propor melhorias, já que as relações com a contabilidade, auditores interno e externo e o próprio Poder Público, já se tranquilizaram, uma vez removidas da rota as nuvens mais carregadas. 

Uma pequena sigla tem papel fundamental nisso tudo: PPA – Procedimento Pré Acordado. Esse instrumento aprimora processos e controles,  e novamente  requer uma quebra de paradigma para grande parte dos empreendedores do nosso país.

É que muitos deles, infelizmente, têm medo do PPA, seja por falta de conhecimento, seja pela possibilidade que enxergam de  antecipar sua saída do Simples e, até mesmo, ‘trazer a Receita para dentro de casa’, ao despertar sua atenção 

Ora, o poder do fisco de fiscalizar e cruzar dados prescinde das constatações voluntárias  do contribuinte acerca dos seus eventuais erros.

Por último, e até mais importante: dar ouvidos a uma segunda opinião neste campo também pode salvar vidas, neste caso, vidas empresariais, sob a égide da compliance e boas práticas de gestão, métodos preventivos consagrados, segundo comprova  nossa prática diária.


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Experiência do Cliente: Ouvir e Respeitar

A área de Customer Experience (CX) da empresa está rumando para o seu segundo ano.
Conheça melhor este trabalho, no relato  de sua principal protagonista.”

Os mais de 30 anos de experiência acumulados por Rosangela Cipriano em ícones do mundo corporativo  como Editora Abril, Gazeta Mercantil, Banco Sudameris, PricewaterhouseCoopers e KPMG,  desde abril de 2023 estão a serviço dos clientes da RZ-3,  visando tornar a experiência deles  a melhor possível, em seu relacionamento diário com a empresa.

”Estamos concluindo a etapa de onboarding, ou seja, uma série de providências sistematizadas  para que eles sintam-se realmente acolhidos a partir do primeiro contato com  alguma das nossas seis Unidades de Negócios, do início à conclusão de cada novo job”, explica a profissional.

Na qualidade de quem participou dos primeiros passos do Serviço de Atendimento ao Consumidor no país, área com notável expansão a partir dos anos 1990, Rosangela se diz especialmente motivada por agora  também  vivenciar a mudança de patamar neste campo representada pela ascensão da Customer Experience (CX).

”As empresas estão começando a se preocupar de forma mais efetiva com algo que vá além do Sac e da própria ouvidoria, abordando portanto a jornada completa do cliente e a relação mantida com ele a cada estágio dessa caminhada”, assegura a especialista.

E os resultados a serem obtidos com a estruturação em curso da CX na RZ3 são promissores, pois a pesquisa mais recente realizada pela equipe de Rosangela, envolvendo cerca de 50 clientes, demonstrou elevado nível de satisfação, segundo a executiva.

Segredo para o sucesso? Bem, Rosangela não pestaneja ao responder: ”saber ouvir o cliente constitui a base de todo o trabalho realizado neste campo, e isso requer não economizar no emprego da empatia, seja qual for a circunstância”, conclui.

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As novas fronteiras da Guerra Fiscal

A recente aprovação pelo  Congresso Nacional do Projeto de Lei Nº 4173 tem tudo para reeditar,  desta vez  em escala internacional,  a tão conhecida Guerra Fiscal, forma  como se convencionou a chamar no Brasil  o êxodo de grandes indústrias rumo a unidades da federação com  menor cobrança de impostos como o ICMS, combinada à concessão de  outros incentivos fiscais. 

Com a transformação deste PL em Lei, vigendo já  a partir de janeiro próximo, investimentos no exterior destinados a offshores e fundos exclusivos serão tributados em 15%, independentemente dos seus rendimentos anuais,  permanecendo contudo isenta,  a variação cambial dos depósitos em conta-corrente; cartão de crédito ou débito fora do país.

Por meio dessas mudanças, o Ministério da Fazenda espera engordar  em R$ 20 bilhões a receita bruta do Imposto de Renda,  cuja meta perseguida também não esconde de ninguém: zerar o déficit das contas públicas. 

Vale lembrar, porém,  que a exemplo de todo remédio – até mesmo em se tratando dos mais  eficazes , o  que não parece ser  o caso desse, como tentarei mostrar aqui –  têm lá suas contra indicações,  e não haveria de ser diferente com a nova lei que acaba de sair do forno. 

A começar pelo  fato de  os  investidores e demais nichos de mercado afetados por ela corresponderem  ao alto da pirâmide contributiva,  justamente a fatia  com maior mobilidade e abundância de opções para evitar perdas, algo que fatalmente ocorrerá em profusão desta vez, por meio da abertura de empresas, não raro de fachada, para a remessa de valores que aqui  passariam ser tributados.

Argentina e França são exemplos emblemáticos disso, mediante circunstâncias parecidas, sendo que – .no caso dos nossos vizinhos – , famílias e aplicadores individuais mais abastados têm feito do Uruguai um autêntico paraíso fiscal, sem abrir mão sequer da carne e do vinho de qualidade, como já tinham em sua terra natal,quando acaba prevalecendo a rara  hipótese de realmente transferirem seus domicílios. 

Outra falácia do Projeto decorre justamente da possibilidade de algo assim se  repetir por aqui, o que deve diminuir de forma expressiva o montante a ser arrecadado pelo governo com essa nova tributação, à medida que engenharias operacionais criativas se desenvolvam, mesmo o anúncio tendo chegado, mais uma vez,  naquilo que poderíamos chamar de segundo tempo da prorrogação de mais um ano fiscal, desafio para qualquer planejamento tributário que mereça tal nome.

Em suma, o dinheiro novamente vai mudar de mãos e o tempo tende a comprovar que o PL recém-aprovado corresponde, ao invés de estancar uma perigosa hemorragia de divisas – conforme o discurso oficial alardeia –   significa   muito mais o mero  cumprimento de uma promessa eleitoral, com o mesmo viés político com o qual vira e mexe se cogita taxar no país a distribuição de lucros e dividendos para as empresas do Lucro Presumido, por exemplo.

Mas tudo bem, mesmo que essa válvula de escape largamente utilizada para complementar ou até mesmo substituir o Pró-Labore,  de forma legal e  bem menos onerosa, uma coisa parece certa. Embora menos pródigos na busca por alternativas de sobrevivência,  quanto o seleto contingente de investidores de Offshores e Fundos Exclusivos –  agora atingidos pelo PL cuja viabilidade no mundo real aqui se discute -, os negócios  pequenos e  médios.  em conjunto com suas consultorias contábeis e  fiscais,  já pensam –  e não de hoje –  como se manter viáveis, na iminência desse velho sonho de consumo do Tesouro   se consumar.


Luiz Costa
Coordenador Fiscal da RZ3

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Déficit Fiscal? Problema nosso!

Para reduzir um vermelho de R$ 230,5 bi, governo põe em xeque desde a desoneração da folha até o direito de se receber à vista, e na totalidade, ações tributárias vencidas na Justiça.

O frenético vaivém de projetos de lei e Medidas Provisórias na ‘rota’ Palácio da Alvorada-Congresso Nacional, tendo como mote  a necessidade urgente de o país arrecadar mais –  já que não consegue gastar menos – é sinal evidente de que, mais uma vez, o contribuinte deve pagar a conta.

Quando o governo resolveu apressar,  no ano passado,  o fim da desoneração da folha de pagamento, concedida a partir de 2012 para atividades econômicas pródigas na criação de empregos, a grita foi geral entre representantes desses setores.

Reação semelhante tiveram  deputados e senadores, estes últimos visivelmente dispostos a devolver a matéria para o executivo, arguindo sua provável inconstitucionalidade.

O projeto não foi devolvido, apesar do massacre que sofreu nos mundos político, empresarial e na mídia, mas esse imbróglio parece longe de terminar, conforme demonstra  Projeto de Lei 493/24, de  29 de fevereiro último, que constitui uma clara tentativa do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad,  de  tornar menos ruim uma conquista que o governo ansiava  fosse ótima.  

Segundo Haddad, a intenção é a mesma da MP 1202 – editada no último dia útil de 2023, isto é,   reduzir uma renúncia fiscal que, perdurando até 2027, como inicialmente se previu,  poria em risco sua tão perseguida meta de déficit zero.

Estimativas da  Receita Federal  sobre o tamanho desta renúncia, envolvendo atualmente 17 segmentos econômicos, deve ser de R$ 12 bi este ano, o que representa cerca de 5% do déficit fiscal de R$ 230,5 bi anunciado na última virada de ano pelo Tesouro Nacional.  

Nessa nova tentativa de minorar as consequências de um caixa tão preocupante, a alternativa do governo à frustrada supressão imediata da desoneração da folha é mudar suas regras, sendo pelo menos uma dessas alterações válida para este ano: o recolhimento previdenciário.

Uma parte das empresas hoje beneficiadas pela desoneração passaria a recolher 10% para o INSS já agora em 2024 – no lugar de escolherem entre 1% e 4,5%, como fazem hoje – chegando a 17,5% no período de três anos.  Os demais setores do grupo sairiam de 15%, também agora em 2024,  até atingir 18,75% em 2027.

Compensações tributárias

Outro ponto da Medida Provisória 1202, apelidada ‘MP da Virada’ por alguns também merece a máxima atenção.

Ele materializa a intenção da  Receita Federal de diminuir o ritmo das compensações tributárias, evitando assim  que as decisões da Justiça favoráveis aos contribuintes se acumulem ao longo de um exercício fiscal, como ocorreu em 2023, quando esse montante chegou aos R$ 60 bi.

A fórmula a ser adotada para tal redução de marcha  é determinar que os ganhadores de causas acima de R$ 10 milhões tenham  o pagamento a quem façam jus diluído ao longo de cinco anos.

Outra mudança cogitada  pela Receita para atenuar o déficit primário brasileiro  é limitar  em 30% o total a ser compensado nesses ganhos de causas, percentual a ser reduzido proporcionalmente ao valor a ser recebido pelo contribuinte, ou seja, quanto mais a receber, maior parcela a  ser descontada. 

Conclusão

Todas essas mudanças requerem, respectivamente,  regulamentação – no caso das compensações tributárias –  e uma vitoriosa jornada do Executivo no Legislativo Federal, em se tratando da reoneração da folha.

Ambas as matérias, porém, indicam que 2024 promete ser mais um ano bastante desafiador.

Quem antes aplaudiu a desoneração da folha agora tem um motivo a mais para amargar o notório clima de insegurança jurídica do nosso país, vivido tanto por empreendedores quanto por aqueles que lhes prestam serviços. 

Decepção igualmente deve estar rondando os pensamentos daqueles que sabem ter recolhido mais imposto do que deveriam, ou até mesmo foram vítimas de erros do lado de lá, por mais que sejam avançados os recursos humanos e tecnológicos à disposição de nossa competente máquina arrecadadora. 

A melhor estratégia a adotar,  diante dessas mazelas tão recorrentes entre nós, é corrigir o quanto antes toda e qualquer rota equivocada do seu negócio, com base sempre naquilo de melhor que a combinação entre  tecnologia e  conhecimento possa oferecer.  

Não foi à toa que  convidamos o premiado iatista Lars Grael para, no final do ano passado, realizar palestra para nossos colaboradores e parceiros, na qual ele  mostrou como sua trajetória brilhante no esporte teve continuidade, mesmo  quando um acidente roubou-lhe uma das pernas.

Afinal, poucos poderiam  falar com tanta propriedade sobre a importância de saber navegar com  diferentes mares e céus pela frente, mudando de velas de forma ágil e assertiva, sempre que necessário. 

Portanto, bem-vindos a bordo!


Junior Rozante
CEO da RZ3

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Falsos gurus tributários terão dificuldades pela frente 

Quem já comprou algum ‘terreno na Lua’,  sob a forma de soluções mirabolantes  para resolver pendências fiscais,  tende a comemorar em breve o grau consideravelmente maior de  dificuldade que pseudo-especialistas em prometer o impossível tendem a ter pela frente.

Tal previsão se justifica pela crescente digitalização da Receita Federal, pois a mesma tecnologia aplicada por ela para detectar irregularidades pode e deve ser colocada a serviço do contribuinte, com a projeção dos diferentes cenários decorrentes de suas escolhas.

Na prática, empresas e profissionais realmente sérios, desejosos em colocar as coisas em ordem –  após falhas causadas muitas vezes  por erros operacionais ou interpretativos, diante das frequentes  modificações legais ocorridas neste campo -, cada vez mais deverão  depender menos do primeiro santo milagreiro que bater à sua porta. 

Em outras palavras, não há carrão,  roupa ou  relógio de luxo que possa falar mais alto do que as evidências estampadas nas telas de um sistema devidamente desenvolvido e com as atualizações imprescindíveis para revelar se o que era válido até pouco tempo atrás ainda vigora. 

Sinais de carreira exitosa e discursos que não param em pé por muito tempo,  aos poucos devem perder o dom de ludibriar empresários e   profissionais das áreas fiscal e tributária – estes sim trabalhando com seriedade -, mas  antes também mais vulneráveis aos falsos gurus tributários.

Até  mesmo o acesso que muitos alegam ter ao amigo do amigo dentro do Fisco  deve se tornar bem menos crível para os clientes, pois hoje eles  prestam  informações eletrônicas a uma estrutura de fiscalização tributária cada vez mais competente, segura e impessoal.

Contudo, se esses indícios clássicos de atendimento comprometido apenas e tão somente com o lucro de quem o oferece não estiver caracterizado, vale a pena ficar atento se todas as possibilidades estão sobre a mesa. 

Ao buscar uma recuperação de crédito tributário, por exemplo, é fundamental que os profissionais envolvidos na operação apontem não apenas o cenário positivo mas também o negativo,  caso o pleito malogre no Judiciário.

Por fim, lembre-se sempre que a saúde de um negócio e, não raro, sua própria sobrevivência, pode depender de um processo tributário, dependendo dos valores envolvidos e das possíveis mudanças estruturais necessárias para recolocar a empresa no caminho correto. Assim sendo, ouvir uma segunda opinião nunca é demais, da mesma forma que fazemos ao receber o resultado delicado de um exame médico.


Ivan Rozante
Diretor de Tecnologia da RZ3

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Impasse jurídico sobre a contribuição de terceiros deixa empresas em dúvida na hora de recolher para o Sistema S

O cenário tributário brasileiro, marcado por sua complexidade e incessantes mudanças legislativas, novamente se destaca como fonte igualmente inesgotável de insegurança jurídica. Desta vez, as interrogações pairando sobre a cabeça do contribuinte envolvem a contribuição de terceiros sobre a folha de pagamento das empresas.

A fatia do bolo em questão é muito grande, gerando fortes conflitos de quem é favorável e contra. Hoje, as entidades componentes do Sistema S (Sesi, Sesc, Senai, Senac, Senar, Sescoop, Sebrae, Sest e Senat) arrecadam, por meio de repasses realizados pelo fisco, mais de R$ 25 bilhões por ano, valor amealhado compulsoriamente das empresa.

Essas instituições reconhecidamente desempenham um papel crucial na promoção de capacitação, assistência técnica e apoio a diversos setores da economia, sem dúvida.

A alíquota da contribuição de terceiros é de 5,8% sobre a folha total, com limite de 20 salários mínimos. A Receita Federal alega que esse limite foi revogado, mas os contribuintes contestam essa interpretação, argumentando que a legislação não foi clara quanto à contribuição de terceiros.

A relevância desse impasse reside nas implicações financeiras para as empresas. Se a Receita Federal prevalecer em sua interpretação, elas serão obrigadas a recolher um valor maior, sem o limite de 20 salários mínimos na base de cálculo. Isso representaria um impacto financeiro considerável, aumentando os custos com a folha de pagamento.

Atualmente, a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) está analisando o tema em um recurso especial repetitivo (REsp. 1.898.532 e 1.905.870 – Tema 1079). Em outubro, a relatora, ministra Regina Helena Costa, inicialmente indicou um entendimento desfavorável aos contribuintes, mas um pedido de vista do ministro Mauro Campbell Marques prenunciou a possibilidade de divergência na decisão final.

A posição adotada pela relatora vai de encontro à argumentação dos contribuintes, os quais sustentam que o Decreto-Lei 2.318/1986 revogou exclusivamente o caput do artigo 4º da Lei 6.950/1981. Em outras palavras, segundo essa visão, a revogação abrange apenas a limitação da base de cálculo aplicada às contribuições previdenciárias das empresas.

A discussão sobre a reforma tributária no país não abarca diretamente a contribuição de terceiros, concentrando-se mais em impostos do que em contribuições. Contudo, a falta de clareza e a complexidade do sistema tributário brasileiro são elementos que a reforma busca resolver.

A decisão da ministra relatora levanta sérias dúvidas quanto à estabilidade jurídica que as empresas terão ao se depararem com uma mudança tão substancial na forma como contribuem para o Sistema S. Essa insegurança pode resultar em litígios prolongados, prejudicando todos os lados desta controvérsia.

Portanto, a decisão do STJ, quando finalmente proferida, terá impactos significativos no panorama tributário brasileiro. Empresas que optaram por seguir a legislação anterior e limitar a base de cálculo podem enfrentar dilemas financeiros se a interpretação da Receita Federal prevalecer retroativamente.

Enquanto os meios empresarial e jurídico aguardam ansiosamente uma posição final do STJ, a recomendação é que as empresas monitorem de perto esse desdobramento e considerem os potenciais impactos financeiros em suas operações.


Marco Summa
Consultor Jurídico da RZ3

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As vantagens do monitoramento analítico das entregas ao fisco

São muitos os motivos que têm levado um  número crescente de empresas  a terceirizar a elaboração  e o envio aos órgãos fiscalizadores de suas informações contábeis e fiscais, assim como as de ordem trabalhista exigidas pelo eSocial.

Apesar da conveniência operacional e uma relação custo-benefício muitas vezes favorável inerente a tal decisão, surgiram – ao longo do tempo – incertezas igualmente volumosas, notadamente diante de autuações recebidas por pessoas jurídicas que se julgavam em dia com os recolhimentos e as obrigações acessórias.

Mas como agir de forma pró-ativa, acionando o fisco administrativa ou judicialmente, quando algum procedimento legal de um negócio é interpretado  como irregular na visão da Receita Federal? Afinal, optou-se  por deixar tudo sob o controle  de um terceiro, sem  checar o trabalho por ele realizado. 

Dentre as causas frequentes de situações assim estão eventuais discrepâncias entre os dados presentes nos  relatórios gerenciais emitidos pelo ERP do fornecedor e as informações – tanto em forma e conteúdo – que foram declaradas para os respectivos órgãos competentes, cada qual com os seus parâmetros e regras. 

Uma segunda opinião, gerada internamente, mas sem a necessidade de uma grande estrutura  – aspecto geralmente determinante para levar uma empresa à prática da terceirização – é mais do que desejável para evitar surpresas quase sempre desastrosas à saúde financeira de um negócio.

Felizmente, sistemas como o Analisi desempenham tal função sem anular  a vantagem financeira obtida quando se decide terceirizar, mas sim  trazendo uma economia incomensurável com situações irregulares cujo surgimento podem evitar, e que  ficariam mais onerosas a cada dia de inércia, não fosse o emprego deste recurso.    

O papel da tecnologia tem se expandido tanto nesse campo que,  ao invés de monitorar a atuação de seus parceiros em áreas estratégicas na prestação de contas nas esferas  tributária e trabalhista, há até mesmo contribuintes voltando a internalizar esses setores, face à assertividade alcançada e a possibilidade de processar rapidamente um volume bem maior de informações.   

Por fim, vale lembrar a equidade proporcionada por essas ferramentas de ponta, pois atuam com a mesma precisão e dedicam  o mesmo tempo para tratar os dados de cada colaborador, seja um  estagiário  ou o mais alto executivo da casa.


Ivan Rozante
Diretor de Tecnologia da RZ3